Breves momentos de inspiração

Breves momentos de inspiração

domingo, 12 de fevereiro de 2012

No tempo

Há muito tempo, num lugar muito especial onde já era quase noite, a pessoa por quem eu esperava estava atrasada.
Foi então que alguém me deu as boas noites e se sentou perto de mim, reparei que o senhor usava uma bengala e pensei, "é cego coitado"
Após uns breves momentos o homem perguntou-me as horas, e eu respondi, "faltam cinco para as vinte", o homem agradeceu e levantou o braço direito como se quisesse agarrar alguma coisa e lá foi dizendo, "amanhã vai estar um lindo dia de sol porque as nuvens estão muito claras".
Eu olhei para o homem e perguntei, "como sabe isso se o senhor não vê?".
"Sim"-respondeu o homem "é verdade que os meus olhos não vêem, mas eu consigo sentir e até consigo tocar a nuvem" e eu pensei que o homem era maluco e perguntei-lhe "como é a nuvem?" ele responde "é macia" "já agora como são as estrelas?", ele reponde "são mornas", "então e o céu? O senhor também o consegue tocar?", "Sim, mas o céu não têm corpo é só energia".
Fez-se um enorme silêncio, enquanto eu ía pensando nas coisas que o homem me tinha dito e para as quais eu não conseguia encontrar uma lógica.
Envolta nos meus pensamentos nem dei conta do homem se levantar, ele olhou para mim e com um sorriso divertido nos lábios desejou-me as boas noites e já a alguns metros de distância virou-se para tráz e disse, "não pense mais nisso menina, que cego é aquele que não quer ver" e desapareceu na noite.
Só muito tempo depois eu compreendi o significado daquelas maravilhosas palavras e que faziam todo sentido!
Muitas vezes eu já fechei os olhos e estiquei o braço, na esperança de tocar uma nuvem ou uma estrela, mas, nunca consegui
semelhante proeza, não porque os meus braços sejam curtos mas porque os meus olhos sabem que o céu está muito longe.

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